7 mitos sobre a dor nas costas: entenda melhor a lombalgia

A dor nas costas, também chamada de lombalgia quando ocorre na região lombar, é uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos. Apesar disso, muitos mitos ainda dificultam o tratamento adequado e podem aumentar o medo, a insegurança e a incapacidade do paciente.

Este artigo foi baseado em informações divulgadas pelo site Pesquisa em Dor, com adaptações para facilitar a compreensão sobre os principais mitos relacionados à dor lombar.

#️⃣ Mito 1 – Ter dor na coluna é comum e normal

Ter um episódio de dor aguda na coluna é comum. No entanto, não é normal que essa dor persista por muito tempo ou cause limitação importante nas atividades diárias.

Estima-se que até 80% da população apresentará algum episódio de dor lombar ao longo da vida. Em outras palavras, sentir dor na lombar em algum momento é frequente, assim como sentir cansaço ou tristeza ocasionalmente. Porém, quando a dor não melhora, ela merece atenção.

Na maioria dos casos, a dor aguda nas costas apresenta boa evolução. Nas primeiras duas semanas, grande parte das pessoas já percebe melhora significativa dos sintomas. Além disso, cerca de 85% dos pacientes se recuperam completamente em até três meses.

Por outro lado, uma pequena parcela pode desenvolver dor persistente, incapacidade física e piora da qualidade de vida. Por isso, quando a dor lombar não melhora, piora progressivamente ou vem acompanhada de outros sintomas, é importante procurar avaliação médica.

Também é importante diferenciar a lombalgia da ciatalgia. A ciatalgia costuma causar dor que começa na região lombar baixa, passa pelas nádegas e pode se estender por uma ou pelas duas pernas até os pés.

#️⃣ Mito 2 – Exames de imagem são sempre necessários

Muitas pessoas acreditam que precisam fazer radiografia, tomografia ou ressonância magnética “só para checar” se existe algo grave causando a dor nas costas.

No entanto, na maioria dos casos de dor lombar, os exames de imagem não mostram alterações graves ou que mudem a conduta médica. As evidências indicam que os exames identificam achados realmente importantes em apenas uma pequena minoria dos pacientes com dor na coluna lombar.

Por isso, o médico deve avaliar a necessidade do exame com base nos sintomas, na história clínica e no exame físico. Dessa forma, é possível identificar sinais de alerta e decidir se a imagem é realmente necessária naquele momento.

Além disso, solicitar exames sem indicação pode gerar preocupação desnecessária, aumentar custos e levar a interpretações equivocadas de alterações comuns da coluna.

#️⃣ Mito 3 – Os exames de imagem sempre mostram a causa da dor

Quando uma pessoa com dor lombar realiza um exame de imagem, como a ressonância magnética da coluna, o resultado pode mostrar alterações que nem sempre têm relação direta com a dor.

De fato, muitos achados aparecem também em pessoas sem dor. Estudos mostram que indivíduos assintomáticos podem apresentar alterações como protrusão discal, degeneração dos discos, hérnias de disco e sinais de artrose na coluna. Ou seja, nem toda alteração vista no exame significa doença grave ou explica os sintomas.

Por isso, o médico deve interpretar os exames junto com a história clínica e o exame físico. Quando o laudo é avaliado de forma isolada, o paciente pode acreditar que sua coluna está “danificada”, o que aumenta o medo, a ansiedade e a evitação de movimentos.

Na prática, muitas alterações vistas nos exames funcionam como sinais naturais do envelhecimento e da genética, semelhantes aos cabelos brancos ou à calvície. Elas podem estar presentes sem causar dor e, portanto, não devem ser interpretadas automaticamente como a causa da lombalgia.

#️⃣ Mito 4 – Repouso absoluto melhora a dor na coluna

Ficar em repouso absoluto na cama não costuma ajudar na recuperação da dor lombar.

Nos primeiros dias de uma crise, evitar atividades que pioram muito a dor pode ser útil. Isso também ocorre em outras lesões, como uma entorse de tornozelo. No entanto, evitar esforço excessivo não significa permanecer completamente imóvel.

Pelo contrário, manter-se ativo e retornar gradualmente às atividades habituais, como trabalho, tarefas diárias e hobbies, pode ajudar na recuperação. Esse retorno deve ocorrer de forma progressiva e respeitando os limites do paciente.

Além disso, o repouso prolongado na cama pode piorar a evolução da lombalgia. Ele está associado a maior intensidade de dor, mais incapacidade física, recuperação mais lenta e afastamento do trabalho por períodos mais longos.

Portanto, na maioria dos casos, o ideal é evitar o excesso de repouso e manter movimentos leves conforme tolerância, sempre com orientação médica quando necessário.

#️⃣ Mito 5 – Dor intensa nas costas significa que a coluna está muito danificada

Sentir dor intensa nas costas não significa, necessariamente, que existe uma lesão grave na coluna. Na prática, duas pessoas com alterações semelhantes podem sentir níveis muito diferentes de dor.

Como explicado anteriormente, algumas pessoas sem dor apresentam alterações na coluna em exames de ressonância magnética, como protrusões, degenerações discais ou hérnias. Por outro lado, há pacientes com exames praticamente normais que sentem dor lombar crônica intensa e persistente.

Isso acontece porque a percepção da dor depende de vários fatores. Entre eles estão o tipo de lesão, a sensibilidade individual, experiências anteriores, humor, medo, estresse, sono, questões culturais e a forma como cada pessoa lida com a dor.

Portanto, a intensidade da dor deve ser valorizada e investigada, mas não deve ser interpretada automaticamente como sinal de que a coluna está “muito danificada”. O mais importante é correlacionar os sintomas com o exame físico e, quando necessário, com os exames de imagem.

#️⃣ Mito 6 – Para tratar a dor nas costas, preciso fazer cirurgia

Apenas uma pequena parcela das pessoas com dor na coluna precisa de cirurgia. Na maioria dos casos, o tratamento começa com medidas não cirúrgicas, que podem controlar a dor, melhorar a função e ajudar o paciente a retomar suas atividades.

Entre as principais opções de tratamento conservador estão:

  • medicamentos para controle da dor, com diferentes mecanismos de ação;
  • fisioterapia;
  • Pilates ou exercícios supervisionados;
  • agulhamento seco, em casos selecionados;
  • terapia comportamental;
  • orientação sobre dor crônica;
  • mudanças de hábitos e reabilitação progressiva.

Além disso, em alguns casos, o médico pode indicar procedimentos minimamente invasivos, como infiltrações na coluna, bloqueios, denervações ou rizotomias. Esses tratamentos podem ajudar no controle da dor e, muitas vezes, fazem parte de uma estratégia mais ampla de reabilitação.

A cirurgia também pode ser uma opção muito útil. No entanto, ela costuma ser indicada apenas para uma minoria dos pacientes, especialmente quando há compressão neurológica importante, perda de força, instabilidade da coluna, deformidades, dor incapacitante persistente ou falha do tratamento conservador bem conduzido.

Portanto, a cirurgia não deve ser vista como a única forma definitiva de tratar a dor nas costas. Quando bem indicada, pode trazer ótimos resultados. Porém, na maioria dos casos, o tratamento inicial deve priorizar medidas menos invasivas e individualizadas.

#️⃣ Mito 7 – Atividade física piora a dor nas costas

Durante os primeiros dias de uma crise de dor na coluna, é comum que o paciente se movimente de forma diferente. Em geral, essa alteração do movimento melhora conforme a dor diminui.

Embora seja difícil no começo, é importante retomar aos poucos as atividades habituais, sempre respeitando os limites do corpo. Isso inclui tarefas diárias, trabalho, lazer e exercícios orientados.

Muitas pessoas, após um episódio de dor nas costas, passam a evitar movimentos por medo de piorar a dor ou por acreditar que a atividade física pode causar lesões. No entanto, essa evitação pode não ser saudável a longo prazo. Pelo contrário, movimentar-se de forma limitada ou rígida pode aumentar a tensão muscular e dificultar a recuperação.

Por isso, a atividade física supervisionada deve fazer parte do tratamento da dor na coluna. Profissionais como fisioterapeutas e educadores físicos podem orientar exercícios seguros, progressivos e adaptados para cada fase da recuperação.

Quando bem indicada, a atividade física ajuda a fortalecer a musculatura, melhorar a mobilidade, reduzir a sobrecarga na coluna e prevenir novas crises de lombalgia.

Você pode acessar o artigo do site Pesquisa em Dor, na íntegra, clicando aqui.

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